CRÔNICA DE ENCERRAMENTO
Há, numa música de Raul Seixas, Prelúdio, dois versos muito pertinentes ao momento de hoje. São estes: “Sonho que se sonha só é só um sonho / sonho que se sonha junto é realidade”. Poderíamos juntar aí outras tantas frases, como “A união faz a força”, “Unidos venceremos”, “Juntos somos mais fortes”, etc., etc., etc., etc... Todas elas, à sua maneira, implicam a presença, num mesmo corpo, de uma multiplicidade de almas. Muitas almas num só corpo implicam o sonho que se sonha junto.
Sim, a crônica de hoje tem um sabor de melancolia. O IV Amostradom de Expressão Cultural ocorre com algumas ausências significativas, ausência de pessoas queridas e de braços para ajudarem a carregar projeto tão grandioso, em estrutura e em importância; além de uma ausência dolorosa, a do companheiro Walmir, brutalmente assassinado no decorrer deste semestre e cuja presença sempre marcou este evento.
O Amostradom tem um corpo e duas almas. Uma esteve plenamente visível ao longo de todo o dia de hoje. É a alma que os alunos emprestam ao Amostradom. Uma alma vibrante, que dá o brilho, que dá o tom, que tem o dom.
É essa alma que, ao longo do dia, cantou, dançou, comoveu, em tantos espaços por este prédio, que teve fôlego para chegar até este horário de encerramento, que nos levou até Woodstock e nos fez passear por entre os jardins da paz e do amor. Essa alma que nos fez voar nos tapetes mágicos da fantasia infantil, que nos entreteve com os cordéis da literatura, que nos conduziu pela arte da reciclagem, pela arte infantil das cores, das magias, da candura. Que alma generosa essa que nos brindou com um dia como o de hoje.
A outra alma do Amostradom é a que lhe dá a possibilidade de acontecer, a que lhe garante a estrutura necessária, a que sustenta o corpo para que a dos alunos lhe dê vida. Essa outra alma não é visível ao longo do dia. Mas se torna visível no cansado rosto incansável daqueles que nos rodeiam neste momento vestindo, em todos os sentidos, a camiseta azul do IV Amostradom, ou outra qualquer, que o uniforme é o de menos.
E é a essa alma que eu quero prestar minha estima neste momento. Peço licença à outra, à que dá o brilho, para render minha mais humilde reverência a vocês, que fizeram este IV Amostradom, à força de fórceps, mas que termina tão brilhante quanto os três anteriores. E talvez, em nossos corações, mais brilhante que os anteriores. Queria lhes dizer uma palavra final: nós sabemos o quanto o pesa o piano, mas nunca tivemos medo de carregá-lo, mesmo na ausência de tantos companheiros que poderiam juntar aos nossos os seus ombros fortes.
Um grande beijo a todos. Que a melancolia ceda, agora, seu espaço à POESIA. Vamos ao Sarau.
Professor Sérgio Marcos
24 de outubro de 2009
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